Já faz um tempinho que vi “Watchmen” no cinema, mas, não sei por que, talvez pela vontade inexplicável de ouvir Dylan ultiamamente, só vim agora lametar por aqui: que pena aquelas atuações de nona categoria e aquelas lutas clichês à la Matrix que surgiam periodicamente no filme quando este tentava paulatimanete construir uma atmosfera interessantíssima… a direção de arte ficou tão boa… e aqueles créditos com “The Times They Are A-Changin’” realmente me fizeram acreditar que eu ia ver um filme super bom. Moore, nos quadrinhos (redundante repetir que são maravilhosos), usa a iconografia e o imaginário da cultura de massa norte-americana para expressar medos, desejos e críticas relativos a uma época assustadora da história ocidental onde os próprios Estados Unidos foram uma figura central – época que continua nos assombrando hoje das formas mais diversas e variadas. Isso funcionou (ou funcionaria…), pelo menos pra mim, perfeitamente bem no cinema. A própria HQ é muito cinematográfica em minha opinião (o célebre travelling inicial que o diga, e as referências constantes a músicas me parecem até uma espécie de fantasma de trilha sonora). Mas aí o resultado foi essa coisa estranha, onde ora as músicas nos fazem flutuar, ora nos fazem ficar pasmos com o cinismo de mostrar a falta de sentido de seu uso para o filme como um todo. Uma aberração híbrida de filme mainstream e discurso artístico. Os elementos fortes da obra de Moore estão lá: a sensibilidade camp, a melancoloa nostálgia, a crítica social, mas tudo isso sem a qualidade do original. Saco. Em uma mídia como o cinema, penso que “Watchmen” poderia continuar desdobrando e ampliando muito aquilo que tem a oferecer.





Sem comentários ainda até o momento
Deixe um comentário
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>