
O Lutador

Gran Torino
Dois filmes americanos recentes bem interessantes põem, dentre outras coisas, a questão da memória no centro do debate. O primeiro é O lutador (de Darren Aronofsky); o segundo Gran Torino (de Clint Eastwood). Ambos apresentam personagens em vias de envelhecer que preservam a lembrança romantizada e quase utópica de um tempo anterior, com a qual confrontam a realidade cruel e contraditória dos Estados Unidos de hoje.
No primeiro caso, trata-se do universo afetivo da Luta Livre – um sucesso na cultura norte-americana dos anos 80. Um universo cujos valores não fazem mais sentido hoje, cujas promessas não foram realizadas pela sociedade na qual ele nasceu. Mas um universo ao qual Randy (Mickey Rourke) se apega dolorosamente no contexto de uma sociedade de mercado crescentemente impessoal e desumana. A imagem-síntese do filme é o plano onde Randy, ao som de Sweet Child O’ Mine, dos Guns N’ Roses, parte para uma luta mortal por trás da qual se abre uma enorme bandeira dos Estados Unidos.
No segundo filme, o moralismo conservador e retrógrado dos Estados Unidos da década de 70 (o título faz referência a um carro Ford dessa época) é recuperado, mas a partir da subjetividade de um homem que começa a conhecer (e a se abrir para) um universo cultural diferente (seus vizinhos orientais que inicialmente repudiava preconceituosamente). A beleza do filme vem da contradição gerada pelas concepções démodé desse homem dentro de um contexto social que não permite a amizade dele com esses novos sujeitos de uma cultura recém-descoberta: os Estados Unidos intolerantes pós-11 de setembro – que já tentou ser mostrado em filmes simplistas e condescendentes como Crash: no limite.
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Ainda não vi o Eastwood, mas me parece que sua relação foi extremamente feliz…
Comentário por nandodijesus Março 30, 2009 @ 1:38 pm