- … e, pelo que pude ver, é o futuro do pensamento em Comunicação.
Os dois tomam um gole dos seus capuccinos. O olhar distante e perdido de um deles é logo percebido pelo outro.
- Às vezes me sinto meio deslocado…
- Por quê?
- Por causa do caminho que pretendo seguir… não dirias que é o futuro do pensamento em Comunicação se ele não estivesse falando de arte ou estética.
- Diria sim… mas ok, achei o futuro nessas coisas que ele vem estudando. Não quer dizer que não haja outras áreas tão importantes quanto.
- Mas que são rejeitadas, quase desconsideradas. Em comunicação, tenho a impressão de que as pessoas aceitariam de bom grado ler o novo livro de Canclini em que ele aborda “questões políticas” e estéticas, mesmo sabendo que os aspectos políticos são tratados superficialmente, em detrimentos dos outros. Mas que, se a situação fosse inversa, ele seria taxado de “bitolado” que “não alcança a essência da comunicação”…
Eles se calam por um tempo.
- Discordas de mim?
- Não. Eu nunca tinha percebido isso, mas talvez seja porque eu estivesse vendo as coisas de outro lado.
- Pois é. Todos adoram dizer que estão analisando “aspectos políticos”, que estão falando de “significações políticas”, “micropolíticas cotidianas” e afins… mas quando você pára pra analisar de fato o significado disso, é logo taxado negativamente – de retrógrado, tradicionalista, ou o que seja. “Política” é uma palavra-fetiche.
- Que bom que pensas assim.
Fragmentos. 15/07/08.
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