LadoB


Dioniso
Maio 15, 2008, 2:53 pm
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Os gregos diziam que a pintura e a escultura permitiam a contemplação. E que a música, por outro lado, despertava as paixões. Esta, por isso, era relacionada a Dioniso, deus do vinho e das festas. Tal tradição serviu para Nietzsche criar um sistema classificatório nas artes: algumas obras eram apolíneas (de Apolo, deus, dentre outras coisas, da verdade, da beleza e das artes), ou seja, construídas de maneira racional e que despertavam no contemplador o exercício do douto cultivo da alma. Outras obras eram dionisíacas e, como a música para os gregos, despertavam as fortes e escondidas paixões internas dos homens. Por causa dos gregos, as artes em cujo discurso se utiliza a imagem sempre tiveram essa “tendência” apolínea. Existe algo mais racional e equilibrado que essa estátua grega do próprio Apolo?:

Apolo de Belvedere - Grécia Antiga

Mas, principalmente desde o Maneirismo e o Barroco, artistas vêm tentando expor a dimensão “dionisíaca” da imagem. Vejam por exemplo essa pintura de Fussli, um dos principais representantes do Romantismo alemão. Nada de construções pacíficas aqui, mas de inquietantes desejos:

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Bom, tudo isso pra dizer que só com o cinema, no século XX, que a imagem conseguiu ser verdadeiramente “dionisíaca”; não apenas porque nele as imagens estão em movimento, mas também porque há uma imbricação entre imagem e música (claro, o que mais?) que é o sonho de qualquer pintor romântico…

Me lembro, para dar exemplos, da seguinte cena de A estrada perdida, de David Lynch:

E de uma cena de Orgulho e preconceito que infelizmente não consegui achar no Youtube. É a seguinte: Liz está num passeio com os tios. Quem assistiu sabe que ela está apaixonada por Mr. Darcy, mas, por ser orgulhosa, não admite. O diretor do filme não recorreu a uma estratégia óbvia pra mostrar esse impasse, isto é, ele não a filmou pensando: “oh, não queria, mas estou apaixonada…”, ou algo do tipo. Ao contrário, ele mostrou uma cena de pouco mais de um minuto, onde Liz contempla um vale sozinha e uma música de piano crescente em intensidade é ouvida. A música é a seguinte:

A cena não “diz” que ela está apaixonada. Mas o espectador sabe devastadoramente, através dela, isso. Dionisíaco.


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Meninos, lendo o blog na aula de Clériston, fica difícil ver os vídeos… Rsrsrsrsrsrs! Mas cá estou eu outra vez… Eu só fico em dúvida: de quem é cada texto? Ou vcs estão numa parceira meio Lennon-McCartney, em que ninguém sabe quem fez o quê? Pelas referências a filmes, eu arriscaria que esse texto é de André… Mas do jeito q vcs estão escrevendo parecido, é bem provável q eu esteja enganada! Rsrsrsrsrs! Bjs!

Comentário por Andréa




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