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	<title>Comentários sobre: O caso Isabella</title>
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	<description>entrelinhas cotidianas, política, cultura pop e hidden tracks</description>
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		<title>Por: oladob</title>
		<link>http://oladob.wordpress.com/2008/05/10/o-caso-isabella/#comment-90</link>
		<dc:creator>oladob</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 May 2008 14:44:11 +0000</pubDate>
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		<description>Confesso que não estou acompanhando a história. E não me taxem de frio por isso. Na verdade, acho que o conhecimento (parcial, claro) de como funcionam os mecanismos da mídia desenvolveu em mim uma certa insensibilidade para todo o alarde.
Mas enfim. Eu só queria destacar como a sociedade (e a mídia, conseqüentemente) “reifica” (e tenho consciência de que o termo pode estar sendo usado aqui de forma não tanto convencional) de uma maneira excepcional até os acontecimentos mais &quot;comoventes&quot;. Eis aí todo o drama exposto e classificado como &quot;caso Isabella&quot;. Tenho a impressão de que esse primeiro substantivo contribui para transformar o fato em &quot;algo&quot; exterior a nós mesmos. Como uma novela, um romance, um filme. É uma história para ser acompanhada, para se emocionar, xingar os vilões, chorar pelos mocinhos. Como André bem disse, a história de Isabella propicia tudo isso. Eu colocaria essa “reificação” entre os ingredientes que contribuem para a forma alienante com que vem sendo tratada essa história, afastando-nos de certa maneira da realidade social a qual se refere. 
Mas isso não é uma característica da cobertura atual sobre a história de Isabella. Os exemplos anteriores abundam. Alguém se lembra do “Caso do mensalão”, “Caso do vôo da TAM”, “Caso Renan” (ou a dramatização em “Renangate”)? Ou o “caso da Escola Base”, com o qual o “Caso Isabella” é constantemente comparado? São tantos “casos” classificados pela mídia que é difícil pensar em todos. Mas veja algo em comum: da mesma forma que apareceram, viraram “destaque nacional”, ganharam a substantivação de “caso”, eles somem. A reificação, a transformação em “coisas”, em histórias para serem acompanhadas de fora, com todos aqueles ingredientes que André mencionou e outros (dependendo do “caso”), atinge um ponto tal que a reflexão crítica fica impedida. O fenômeno vira uma coisa da qual devem ser extraídos todos os elementos possíveis – desde o “factualismo” inerente ao jornalismo diário, passando pela adjetivação de “crise”, a elementos dramáticos e sensacionalistas. 
Não sei se estou conseguindo ser claro, mas o que quero dizer é que nosso engajamento afetivo e sensitivo nesses “casos” se dá de uma tal forma que passamos a vê-los menos como um fenômeno para ser apreendido criticamente, e sim como uma história para ser contada e acompanhada. Se essa “reificação alienante” é menos um aspecto da cobertura midiática atual, e mais uma característica intrínseca à comunicação institucionalizada de hoje, está além da minha capacidade de julgamento, embora tenda a acreditar na segunda opção. 
Posso dar a impressão de estar defendendo uma espécie de “jornalismo didático”, quase acadêmico, cientifico. Talvez. Apenas tenho a impressão de que o jornalismo como está caminha para uma mediocridade cada vez maior. Mas se o jornalismo (se a comunicação, de uma forma geral) estiver mesmo assim, creio que as explicações e as possíveis saídas desse problema devem ser buscadas nos processos sociais dos quais ele é apenas uma parte. O processo dialético entre a sociedade e a comunicação (infra e superestrutura) precisaria ser compreendido em toda a sua complexidade. É a velha história. Só há mercadoria porque há quem compre. E só há comprador porque há mercadoria. Tentar apreender a comunicação fora desses processos sociais seria persistir na alienação. 
Talvez não demore para o próximo “grande caso” surgir. E, no auge do meu otimismo, não enxergo – agora – um horizonte em que reagiremos de maneira diferente. 

aristeu</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Confesso que não estou acompanhando a história. E não me taxem de frio por isso. Na verdade, acho que o conhecimento (parcial, claro) de como funcionam os mecanismos da mídia desenvolveu em mim uma certa insensibilidade para todo o alarde.<br />
Mas enfim. Eu só queria destacar como a sociedade (e a mídia, conseqüentemente) “reifica” (e tenho consciência de que o termo pode estar sendo usado aqui de forma não tanto convencional) de uma maneira excepcional até os acontecimentos mais &#8220;comoventes&#8221;. Eis aí todo o drama exposto e classificado como &#8220;caso Isabella&#8221;. Tenho a impressão de que esse primeiro substantivo contribui para transformar o fato em &#8220;algo&#8221; exterior a nós mesmos. Como uma novela, um romance, um filme. É uma história para ser acompanhada, para se emocionar, xingar os vilões, chorar pelos mocinhos. Como André bem disse, a história de Isabella propicia tudo isso. Eu colocaria essa “reificação” entre os ingredientes que contribuem para a forma alienante com que vem sendo tratada essa história, afastando-nos de certa maneira da realidade social a qual se refere.<br />
Mas isso não é uma característica da cobertura atual sobre a história de Isabella. Os exemplos anteriores abundam. Alguém se lembra do “Caso do mensalão”, “Caso do vôo da TAM”, “Caso Renan” (ou a dramatização em “Renangate”)? Ou o “caso da Escola Base”, com o qual o “Caso Isabella” é constantemente comparado? São tantos “casos” classificados pela mídia que é difícil pensar em todos. Mas veja algo em comum: da mesma forma que apareceram, viraram “destaque nacional”, ganharam a substantivação de “caso”, eles somem. A reificação, a transformação em “coisas”, em histórias para serem acompanhadas de fora, com todos aqueles ingredientes que André mencionou e outros (dependendo do “caso”), atinge um ponto tal que a reflexão crítica fica impedida. O fenômeno vira uma coisa da qual devem ser extraídos todos os elementos possíveis – desde o “factualismo” inerente ao jornalismo diário, passando pela adjetivação de “crise”, a elementos dramáticos e sensacionalistas.<br />
Não sei se estou conseguindo ser claro, mas o que quero dizer é que nosso engajamento afetivo e sensitivo nesses “casos” se dá de uma tal forma que passamos a vê-los menos como um fenômeno para ser apreendido criticamente, e sim como uma história para ser contada e acompanhada. Se essa “reificação alienante” é menos um aspecto da cobertura midiática atual, e mais uma característica intrínseca à comunicação institucionalizada de hoje, está além da minha capacidade de julgamento, embora tenda a acreditar na segunda opção.<br />
Posso dar a impressão de estar defendendo uma espécie de “jornalismo didático”, quase acadêmico, cientifico. Talvez. Apenas tenho a impressão de que o jornalismo como está caminha para uma mediocridade cada vez maior. Mas se o jornalismo (se a comunicação, de uma forma geral) estiver mesmo assim, creio que as explicações e as possíveis saídas desse problema devem ser buscadas nos processos sociais dos quais ele é apenas uma parte. O processo dialético entre a sociedade e a comunicação (infra e superestrutura) precisaria ser compreendido em toda a sua complexidade. É a velha história. Só há mercadoria porque há quem compre. E só há comprador porque há mercadoria. Tentar apreender a comunicação fora desses processos sociais seria persistir na alienação.<br />
Talvez não demore para o próximo “grande caso” surgir. E, no auge do meu otimismo, não enxergo – agora – um horizonte em que reagiremos de maneira diferente. </p>
<p>aristeu</p>
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